Cirurgia de catarata diminui mortalidade em idosos - Dr. Fernando Komatsu

Se a visão estiver ficando opaca, como se um pedaço de vidro estivesse no caminho, talvez seja melhor procurar rápido um médico. Não apenas para enxergar melhor mas também para viver mais.

A cirurgia de catarata pode aumentar a longevidade das pessoas, segundo um estudo publicado recentemente na revista científica “Jama Ophthalmology”.

A pesquisa é baseada no acompanhamento de 74.044 mulheres com catarata por mais de 20 anos.

Em estudos anteriores, cientistas já haviam verificado que pessoas que fazem a cirurgia acabam vivendo mais. Contudo, o novo estudo se debruçou sobre problemas de saúde mais específicos.

Os pacientes que passaram pela cirurgia apresentaram menor mortalidade ligada a doenças vasculares, neurológicas, pulmonares, infecciosas, câncer e também a relacionada a acidentes.

Para realizar uma análise honesta (e não atribuir erroneamente à cirurgia de catarata benefícios que ela não traz), os pesquisadores “descontaram” aspectos demográficos, comorbidades oculares, atividade física, IMC, fumo e consumo de álcool.

O estudo, entretanto, não bateu o martelo sobre quais seriam as causas da redução de mortalidade. Mesmo assim, os autores levantam algumas hipóteses.

Uma melhoria nas condições socioeconômicas –que potencialmente beneficiam os cuidados gerais com a saúde– e a adoção de uma dieta mais saudável estão entre as possíveis de explicações.

“Falamos sobre isso há muito tempo”, afirma Renato Ambrósio Jr., membro da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO).”

A cirurgia de catarata melhora a qualidade de vida, com isso a pessoa vai ter uma vida mais saudável.

“Outro fator importante é que, enxergando melhor, os idosos caem menos –e quedas são um grande problema de saúde nessa fase da vida.

Segundo Ambrósio Jr., a resposta imunológica dos pacientes se torna melhor e outros aspectos clínicos também melhoram.

A indicação da cirurgia de catarata, alerta ele, deve ser feita por um especialista e levar em conta as queixas dos pacientes quanto ao impacto do problema no dia a dia. “Para algumas pessoas ainda em fase inicial já é preciso operar”, diz o médico.

“Não existe uma só causa para explicar o motivo das pessoas viverem mais. Mas, em geral, está na conta da esperada melhoria na qualidade de vida”, completa.

PHILLIPPE WATANABE
DE SÃO PAULO
FOLHA DE SÃO PAULO | UOL | EQUILÍBRIO E SAÚDE

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